segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Fé e espiritualidade



Veja, a fé conforme o nosso catecismo é “ (...) a resposta do homem a Deus que  se revela e a ele se doa (...)” Catecismo da Igreja, 26.

Sempre compreendi que Deus me amou, e mais do que isso, sempre senti  a presença de Deus em minha vida...prova disso foi a experiência do TLC que me ajudou a encontrar uma forma de viver esse amor.

A fé é a resposta ao amor de Deus, é por ela que reconhecemos a presença de Deus em nossas vidas, sem ela não compreendemos a importância dessa convivência

Pela fé temos a certeza da existência de Deus, e por ela vivemos , e por ela, pelo menos deveríamos, pautar a nossa vida.

Veja o que continua dizendo o catecismo da Igreja: “O desejo de Deus está inscrito no coração do homem, já que o homem é criado por Deus e para Deus; e Deus não cessa de atrair o homem a s, e somente em Deus o homem há de encontrar a verdade e a felicidade que não cessa de procurar.” Catecismo da Igreja, 27.

“Alegre-se o coração  dos que buscam o senhor” Sl. 105,3

“Pois nele vivemos, nos movemos e existimos”(At 17, 23-28)

Ou seja, fé é viver em Deus.

Logicamente que minha fé é muito pouco em relação ao que seria o ideal, mas somente em reconhecer que Deus me ama, e me ama profundamente eu já me sinto cheio de esperança de um dia poder viver esse amor em plenitude.

A espiritualidade para mim é a vivencia das coisas de Deus, e sem complicações, e sem mantras, e sem bobagens de blá, blá, é ser simples como Jesus foi simples, é dialogar com Deus.

 A espiritualidade é a presença do outro, do irmão nesta vivencia ...

Não existe espiritualidade para mim, para as minhas reflexões, somente para o meu crescimento.

Assim, a espiritualidade é viver a proposta do amor de Deus no mundo, ou seja, tomando cafezinho, na faculdade, com os amigos, convivendo com os irmãos.

A espiritualidade é um abastecimento em Deus e um derramamento sobre  o mundo.

A amizade...


Hoje eu gostaria de refletir sobre a amizade.

A amizade tão falada, e tão cantada por ai parece ser  algo bem diferente do que se propagam.
Não é difícil ouvir pessoas dizerem que são amigas de outras,  que têm inúmeras afinidades, que são irmãs...
Porém, basta um simples tropeço, para se falar em decepção, para se dizer que sempre houve uma desconfiança sobre o amigo,  que isso um dia iria acontecer...e por ai vai.
Mas então o que é amizade, o que faz uma amizade dar certo, e como preservar a amizade?

A bíblia, através de um de seus livros, o livro de Provérbios,  nos trás algumas indicações sobre o que seria a amizade :

                     O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão. Provérbios 17:17


 Observe o que o autor aproxima o amigo do irmão de sangue, qual a razão?  Vamos adiante...


Bom, eu me lembro que certa vez me perguntaram quem seria o meu melhor amigo. Eu fiquei um bom tempo matutando, tentando não ser grosseiro com a indicação de uma única pessoa, ou mesmo ser mentiroso com a indicação de várias pessoas...
Mas, foi ai que percebi que era difícil identificar quem era o meu melhor amigo, porque talvez eu não tivesse nenhum...
Não lembro bem o que respondi, mas com certeza não foi muito verdadeiro...
Passei um tempo refletindo, será que eu tinha problemas para fazer amigos...
E em um tempo de redes sociais,  onde as pessoas têm “tantos” amigos,  vários “seguidores”,  onde diariamente expoem suas vidas,  eu não soube identificar o meu melhor amigo...ou se realmente tenho amigos...
Sabe o interessante disso? Certos conceitos precisam ser desconstruídos para podermos erguê-los de forma verdadeira.
Quando eu penso em amizade, eu imagino algumas características comuns, como por exemplo a presença cotidiana,  a convivência diária,  a lida as coisas boas e ruins de alguém, a liberdade de sermos nós mesmos, o ensinamento,  a aprendizagem,  o carinho sem segundas intenções, a saudade, o amor, o companheirismo...a ausência de mascaras.
Ou seja... nossos primeiros amigos são os nossos familiares, e não entenda com isso que eles são melhores, ou prioritariamente a eles nós devemos devoção, mas pelo contrário, Deus nos dá uma família para aprendermos a sermos amigos uns dos outros.
É na família  que temos a liberdade de dizermos o que sentimos, e muitas vezes ficarmos com raiva,  nos emudecermos com a presença do outro,  para logo adiante percebermos o erro, e voltarmos a conviver, a nos amar, a nos querermos  bem.
É na família   que o filho pode beijar o pai, o pai pode beijar o filho, e não há segundas intenções, não há sexualismos,  há sim o exercício do amor verdadeiro.
É convivendo com nossos irmãos de sangue que percebemos como somos iguais, e ao mesmo tempo somos tão diferentes, mas mesmo assim nos amamos, e  queremos que eles nos acompanhem por muitos e muitos anos.
Queremos o bem de seus filhos como queremos dos nossos, queremos  que a nossa felicidade seja também a felicidade deles.
E depois que aprendemos essas coisas vamos conviver com o mundo, ai achamos que por não sermos filhos da mesma mãe, e do mesmo pai, o  nosso dever  com o outro  é diferente...errado, somos todos filhos do mesmo pai.
São Francisco falava que para “suportamos” o irmão devemos ver nele o filho gerado de nosso ventre, devemos viver a paternidade, ou a maternidade do amor divino...ou seja, queres viver o céu da amizade seja pai  e mãe  dos seus amigos...
Geralmente quando pensamos em amigos imaginamos alguém  capaz de nos compreender, de concordar conosco, de está sempre presente em nossas vidas, principalmente nos momentos em que mais precisamos.
No entanto, esse parece ser o lado mais individual da amizade, ou melhor dizendo, o lado mais doce dela, pois, nesta perspectiva só vemos o nosso interesse, e a nossa conveniência, sendo sempre o que nós projetamos, o que nós queremos do outro.
Mas, e  se eu disser que a amizade é amar o outro pelas conveniências dele, amar ou outro por ele mesmo, ou seja, porque ele precisa de mim, porque eu quero fazer ele feliz.
Não entendeu a explicação? Eu também não entendia, ou melhor, ouvia mas não sentia...até ser pai!

No dia que minha filha nasceu eu entendi que há amor por conveniência do outro, e não só a minha conveniência, a minha necessidade.
O filho é a prova mais real do amor sem interesse, coisa que meus pais já falavam há anos, mas que não era absorvido, e absolvido por meu coração e por minha consciência.
Assim, voltando ao que disse a flor mais bela de Assis, amar o teu irmão com o amor de pai nos permite compreender suas fraquezas e necessidades, ou se quiser melhorar isso, vamos as palavras de Jesus, “Ama a Deus com todas as suas forças, com todo a sua inteligência, com toda a sua alma, e ao teu irmão como amas a si mesmo.” Se puderes trocas o nome irmão pelo nome de amigo compreenderas que amizade é algo divino e pessoal.
A amizade é perceber no outro o amor que Deus tem por ele.

É também familiarizar-se com o outro, ou seja, não é apenas juntar-se, mas permanecer com o outro e fazer dele sua família.
Quando casamos, percebemos que essas palavras são verdadeiras, pois, pela providencia nos encontramos,  pela graça de Deus nos casamos, mas é pelo amor que nos mantemos juntos, e tornamos o nosso companheiro família, amiga, amigo.
Minha esposa me fez perceber a amizade verdadeira quando de suas renuncias, das suas esperas, da sua paciência, da sua humildade...semelhante aos meus pais  e irmãos  de sangue, e só assim nos tornamos família, só assim nos convertemos em amigos.

Para quem consegue  se motivar a ter centenas, milhares, até milhões de amigos, muitos até nessas redes sociais, lhes digo que isso é uma graça, mas compreendo que a amizade precisa de tempo, é muito frágil, delicada, necessitando de empenho para ser construída, e como construir tantas amizades ao mesmo tempo...?
Perceba nas coisas de Deus a orientação para amizade, elas  são simples, e duradouras, nos lembram  que tudo precisa de um tempo para ser digerido e vivido.

Só se ama a Deus amando ao próximo, tendo amizades por conveniencias do outro, e aqui queria lembrar dos meus amigos que se tornaram irmãos  na caminhada da vida, principalmente a um casal que me adotou no coração e na alma, me fazendo compreender que a amizade é uma marca indelével,  que também nos identifica e nos faz assemelhar.