Hoje eu gostaria de refletir sobre a amizade.
A amizade tão falada, e tão cantada por ai parece
ser algo bem diferente do que se
propagam.
Não é difícil ouvir pessoas dizerem que são amigas
de outras, que têm inúmeras afinidades,
que são irmãs...
Porém, basta um simples tropeço, para se falar em
decepção, para se dizer que sempre houve uma desconfiança sobre o amigo, que isso um dia iria acontecer...e por ai vai.
Mas então o que é amizade, o que faz uma amizade dar
certo, e como preservar a amizade?
A bíblia, através de um de seus livros, o livro de Provérbios, nos trás algumas indicações sobre o que seria a amizade :
O amigo ama em todo o tempo; e para a angústia nasce o irmão. Provérbios 17:17
Observe o que o autor aproxima o amigo do irmão de sangue, qual a razão? Vamos adiante...
Bom, eu me lembro que certa vez me perguntaram quem seria o meu melhor amigo. Eu fiquei um bom tempo matutando, tentando não ser grosseiro com a indicação de uma única pessoa, ou mesmo ser mentiroso com a indicação de várias pessoas...
Mas, foi ai que percebi que era difícil identificar quem
era o meu melhor amigo, porque talvez eu não tivesse nenhum...
Não lembro bem o que respondi, mas com certeza não
foi muito verdadeiro...
Passei um tempo refletindo, será que eu tinha
problemas para fazer amigos...
E em um tempo de redes sociais, onde as pessoas têm “tantos” amigos,
vários “seguidores”, onde diariamente expoem suas vidas, eu não soube identificar o
meu melhor amigo...ou se realmente tenho amigos...
Sabe o interessante disso? Certos conceitos
precisam ser desconstruídos para podermos erguê-los de forma verdadeira.
Quando eu penso em amizade, eu imagino algumas características
comuns, como por exemplo a presença cotidiana, a convivência diária, a lida as coisas boas e ruins de alguém, a
liberdade de sermos nós mesmos, o ensinamento,
a aprendizagem, o carinho sem
segundas intenções, a saudade, o amor, o companheirismo...a ausência de
mascaras.
Ou seja... nossos primeiros amigos são os nossos
familiares, e não entenda com isso que eles são melhores, ou prioritariamente a
eles nós devemos devoção, mas pelo contrário, Deus nos dá uma família para
aprendermos a sermos amigos uns dos outros.
É na família que temos a liberdade de dizermos o que
sentimos, e muitas vezes ficarmos com raiva,
nos emudecermos com a presença do outro, para logo adiante percebermos o
erro, e voltarmos a conviver, a nos amar, a nos querermos bem.
É na família que o filho pode beijar o pai, o pai pode
beijar o filho, e não há segundas intenções, não há sexualismos, há sim o
exercício do amor verdadeiro.
É convivendo com nossos irmãos de sangue que
percebemos como somos iguais, e ao mesmo tempo somos tão diferentes, mas mesmo
assim nos amamos, e queremos que eles
nos acompanhem por muitos e muitos anos.
Queremos o bem de seus filhos como queremos dos
nossos, queremos que a nossa felicidade
seja também a felicidade deles.
E depois que aprendemos essas coisas vamos conviver
com o mundo, ai achamos que por não sermos filhos da mesma mãe, e do mesmo pai,
o nosso dever com o outro é diferente...errado, somos todos filhos do
mesmo pai.
São Francisco falava que para “suportamos” o irmão
devemos ver nele o filho gerado de nosso ventre, devemos viver a paternidade,
ou a maternidade do amor divino...ou seja, queres viver o céu da amizade seja pai e mãe dos
seus amigos...
Geralmente quando pensamos em amigos imaginamos alguém
capaz de nos compreender, de concordar
conosco, de está sempre presente em nossas vidas, principalmente nos momentos
em que mais precisamos.
No entanto, esse parece ser o lado mais individual
da amizade, ou melhor dizendo, o lado mais doce dela, pois, nesta perspectiva só
vemos o nosso interesse, e a nossa conveniência, sendo sempre o que nós projetamos,
o que nós queremos do outro.
Mas, e se eu disser que a amizade é amar o outro pelas conveniências
dele, amar ou outro por ele mesmo, ou seja, porque ele precisa de mim, porque
eu quero fazer ele feliz.
Não entendeu a explicação? Eu também não entendia, ou
melhor, ouvia mas não sentia...até ser pai!
No dia que minha filha nasceu eu entendi que há amor
por conveniência do outro, e não só a minha conveniência, a minha necessidade.
O filho é a prova mais real do amor sem interesse,
coisa que meus pais já falavam há anos, mas que não era absorvido, e absolvido
por meu coração e por minha consciência.
Assim, voltando ao que disse a flor mais bela
de Assis, amar o teu irmão com o amor de pai nos permite compreender suas fraquezas
e necessidades, ou se quiser melhorar isso, vamos as palavras de Jesus, “Ama a
Deus com todas as suas forças, com todo a sua inteligência, com toda a sua
alma, e ao teu irmão como amas a si mesmo.” Se puderes trocas o nome irmão pelo
nome de amigo compreenderas que amizade é algo divino e pessoal.
A amizade é perceber no outro o amor que Deus tem por ele.
É também familiarizar-se com o outro, ou seja, não é apenas juntar-se, mas permanecer com o outro e fazer dele sua família.
É também familiarizar-se com o outro, ou seja, não é apenas juntar-se, mas permanecer com o outro e fazer dele sua família.
Quando casamos, percebemos que essas palavras são
verdadeiras, pois, pela providencia nos encontramos, pela graça de Deus nos casamos, mas é pelo
amor que nos mantemos juntos, e tornamos o nosso companheiro família, amiga,
amigo.
Minha esposa me fez perceber a amizade verdadeira
quando de suas renuncias, das suas esperas, da sua paciência, da sua
humildade...semelhante aos meus pais e irmãos
de sangue, e só assim nos tornamos família,
só assim nos convertemos em amigos.
Para quem consegue se motivar a ter centenas, milhares, até milhões de amigos, muitos até nessas redes sociais, lhes digo que isso é uma graça, mas compreendo que a amizade precisa de tempo, é muito frágil, delicada, necessitando de empenho para ser construída, e como construir tantas amizades ao mesmo tempo...?
Perceba nas coisas de Deus a orientação para amizade, elas são simples, e
duradouras, nos lembram que tudo precisa de um tempo para ser digerido e
vivido.
Só se ama a Deus amando ao próximo, tendo amizades por conveniencias do outro, e aqui queria lembrar dos meus amigos que se tornaram irmãos na caminhada da vida, principalmente a um casal que me adotou no coração e na alma, me fazendo compreender que a amizade é uma marca indelével, que também nos identifica e nos faz assemelhar.
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